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Chuva: renováveis garantem 72% do consumo de luz até Fevereiro
terça-feira, 9 de Março de 2010 | 11:03   lida: 65 vezes

O aumento da geração hidroeléctrica e o reforço de potência eólica permitem atingir valor recorde na produção renovável

Com a chuva a atingir níveis recorde, a produção hidroeléctrica disparou 75% nos primeiros dois meses deste ano. Esta é a principal explicação para o nível recorde de produção de energias renováveis em Portugal.

Os dados da REN (Redes Energéticas Nacionais) até Fevereiro mostram que cerca de 72% da energia consumida em Portugal Continental veio de fontes renováveis. Este valor histórico resulta da combinação de dois factores: o elevado nível de precipitação - admite-se que 2010 venha a ser o ano com o coeficiente de hidraulicidade mais elevado dos últimos 20 anos - com o reforço da produção eólica verificado nos últimos anos.

A potência instalada da electricidade a partir do vento tem vindo a subir de forma consistente. Nos primeiros dois meses do ano, a energia do vento foi responsável por mais de 21% da procura de electricidade em Portugal, um acréscimo de 70% em relação ao mesmo período de 2009. Mas o factor determinante é a produção hidroeléctrica. Nos primeiros dois meses deste ano, as grandes barragens asseguraram o fornecimento de 43,4% da electricidade consumida em Portugal, tendo sido a forma de geração mais relevante no arranque de 2010.

Esta percentagem mais que garante o compromisso assumido pelo país de que 45% da geração eléctrica deve vir de fontes renováveis. No entanto, esta situação deve-se em grande medida a condições meteorológicas dificilmente controladas pelo homem. No entanto, fontes contactadas pelo i no sector eléctrico realçam que há duas barragens, que pela dimensão da sua albufeira - Alqueva e o Alto Rabagão - permitem gestão de água a longo prazo (a mais de um ano). E a chuva que já caiu este ano poderá ser suficiente para assegurar um ano tranquilo para a produção hidroeléctrica, mesmo que os próximos meses sejam secos.

A subida da produção hídrica, que é comum a Espanha, tem ainda um efeito positivo no preço da electricidade no mercado grossista. A cotação no mercado ibérico está abaixo do valor previsto para este ano, o que reflecte também um menor recurso às centrais térmicas (a gás e carvão), cuja geração nos primeiros dois meses do ano está em queda.

O efeito só não é mais relevante porque a Produção em Regime Especial, que inclui as eólicas, mas também a cogeração industrial, tem prioridade (passa à frente no abastecimento) sobre todas outras as formas de geração, incluindo as grande hídricas. E este regime beneficia de tarifas mais altas do que as praticadas no mercado.

O crescimento na geração hidroeléctrica acontece numa fase em que ainda não estão em operação as novas centrais. Entre os projectos da EDP e o plano nacional de barragens está já em marcha seis reforços de potência e a construção de 10 novas centrais hidroeléctricas, num investimento global que ultrapassa os 4,5 mil milhões de euros. Os primeiros reforços de potência - Picote, Bemposta e Alqueva - só entram em operação a partir de 2011/12.

Os dados da REN só contabilizam a energia que passa pela rede de transporte e há mini-hídricas e algumas pequenas cogerações que estão fora destes dados. No entanto, os dados da REN são já representativos e mostram ainda uma recuperação do consumo de energia, explicável por alguma retoma económica - a indústria aqui é determinante. Depois da queda verificada em 2009, a procura eléctrica está a subir 3,6%, retirando já o efeito dos feriados e da temperatura. Outra nota de destaque é a enorme subida das exportações de energia e a redução das importações.

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